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Só de imaginar, ele ri


Hoje foi mais um dia de trabalho. Ao realizar visitas semanalmente, acabamos amigos de alguns de nossos pacientes. Não sei porque isso acontece, o proceder dos fatos ao certo. Sei que é de repente, sem mais nem menos, conforme o acaso do afeto, do tropeço da palhaça e da portada na cara ao sair do quarto, está pronto o caso: mais um amizade nasce. Depois disso, a despedida fica difícil. Principalmente, quando esse amigo não vai embora para a casa e não temos um momento para que a despedida aconteça de fato. Talvez, seja melhor assim. Talvez, seja melhor não nos despedirmos de vera e sabermos somente pela boca das médicas, de alguma enfermeira mais amiga, que existe a possibilidade de tal paciente partir em breve. É impressionante esse momento de estar perto de um outro ser humano que, conforme possibilidades médicas, pode morrer a qualquer momento. Aquele amigo, amiga, que não se vê todo dia, que não é tão próximo, que não se encaixa nos amores de livros ou novelas, mas que dentro do peito faz alguma coisa tão potente acontecer.

Texto: Dr. Risoto de Carne Moída.

Foto: Carol Reis